3 de novembro de 2011

Torta de maracujá



A minha mãe já me explicou umas 349 vezes a diferença entre massa sablée, brisée e sucrée. Eu simplesmente não decoro. Sei que uma(s) leva(m) ovo, outra(s) não, uma(s) leva(m) açúcar, outra(s) não. Então, na dúvida, sempre que faço uma torta, uso aquela massa básica de quiche que já postei aqui. Isto está começando a me entediar, sabem?
O tema "torta doce" me consome já faz alguns dias. Eu já andava namorando umas receitas de um livro de Martha Stewart sobre tortas (Martha Stewart's New Pies and Tarts, Potter, New York), e até tinha colocado em prática uma receita, mas não gostei, e quase desapaixono do livro... Semana passada ganhei da minha tia alguns maracujás do quintal da casa dela, e não queria fazer o suquinho básico com eles. Além disso, tenho tido vontades repentinas de comer sobremesas elaboradas, vontades essas que simplesmente não podem ser saciadas em uma doceria qualquer, pois por aí tudo leva laticínio. Juntei o meu tédio com a mesma receita de massa, o livro da Martha, os maracujás da minha tia e o desejo de comer sobremesa e inventei uma receita de torta de maracujá, com massa docinha, e recheio de mousse de maracujá.
A massa é a receita de massa sablée da Martha Stewart (maman, depois me conta se a receita está certa?;), o recheio foi uma invencionisse minha. Aliás, se você não tiver disposição para fazer uma massa, sirva esse recheio como mousse, e pronto.

Torta mousse de maracujá

Ingredientes da massa:

1/2 xícara de açúcar de confeiteiro
3/4 de xícara de manteiga gelada
1 1/2 xícara de farinha de trigo
uma pitada de sal
um pouquinho de água (opcional)

Como fazer a massa:

Misture a manteiga e o açúcar até formar uma farofa úmida. Acrescente a farinha, incorpore bem na mistura de açúcar e manteiga e forme uma bola de massa. A receita original não indica  autilização de água, mas no final da receita achei a massa muito quebradiça. Se você não tiver paciência pra trabalhar uma massa tão desestruturada, tente adicionar água bem aos poucos, de colher em colher. Acho que duas colheres de sopa de água são mais do que suficientes pra dar "liga" à massa. Envolva em plástico filme, e coloque pra gelar por no mínimo duas horas. Tire a massa do plástico e vá cobrindo o fundo e as laterais de uma forma de torta com a massa, espalhando com as mãos. Coloque pra assar durante 30 minutos, em forno pré-aquecido a 180 °C. Deixe esfriar em local arejado, e enquanto isso faça o recheio.


Ingredientes do recheio:

2 maracujás
um copo de água
1/2 xícara de creme de leite de soja
3 col. (sopa) de açúcar
1 pacotinho de gelatina sem sabor

Como fazer o recheio:

Retire a polpa dos maracujás com uma colher. Separe uma colher de sopa de polpa para decorar a torta. Bata o restante no liquidificador com o copo de água. Reserve. Hidrate a gelatina com 5 colheres de sopa de água. Coloque em fogo bem baixo para que ela amoleça. Bata no liquidificador o suco de maracujá, o creme de leite, o açúcar e a gelatina amolecida. 
Disponha o recheio sobre a massa fria. Coloque para gelar até a mousse endurecer. Cubra com a polpa de maracujá que você não bateu, e coloque na geladeira atéa hora de servir.


22 de outubro de 2011

Pão do amor


Conheci uma pessoa engraçadíssima esses dias. No meio de uma conversa regada a muitas gargalhadas, ele me perguntou qual era minha especialidade na cozinha. Um minuto de reflexão... Acho que não tenho especialidade... Ainda sou  muito nova nas panelas para eleger uma especialidade da casa, eu acho. Ou talvez meu espírito curioso prefere sempre inventar e experimentar coisas diferentes, ao invés de repetir o que é conhecido. No final das contas, dei uma meia resposta contando que, especialidade ou não, o que mais gostava de fazer era pão. Qualquer pão. Juntar, misturar, sovar, esperar crescer, amassar de novo, esperar crescer de novo, por no forno, esperar assar, tirar do forno... parece uma gravidez terminada por um parto tranquilo.

Hoje a noite fiz duas receitas de uma vez, para aproveitar o empenho e o forno ligado. Uma doce e uma salgada. Vou contar do pão doce. Ele foi sovado a seis mãos (as minhas e as das meninas) e enquanto sovávamos, eu sugeri que cada uma de nós dedicasse aquele pãozinho a alguém especial: a mais velha dedicou o pão ao pai, a mais nova lembrou da vovó "Suviani", e eu dediquei o pão ao meu irmão querido, que vejo tão menos do que gostaria e que agora é Capitão (morro de orgulho, sou irmã coruja). Eu já disse aqui em alto e bom som que te amo, pois em alto e bom som eu repito: EU TE AMO.


Pao doce de mel e canela

Ingredientes:

2 xícaras de farinha de trigo integral
2 xícaras de farinha de trigo branca
1 pacotinho de fermento biológico seco
1 colher (sobremesa) de sal
4 colheres (sopa) de açúcar demerara
2 colheres (sopa)de mel
1 colher (sobremesa) de canela em pó
4 colheres (sopa) de óleo
1 1/2 xícara de água morna
Farinha de trigo branca para sovar a massa

Como fazer:

Misture um pouquinho da farinha branca, do açúcar e da água morna numa tigelinha. Acrescente o fermento e espere a mistura começar a borbulhar. Esse é o sinal de que o fermento está "vivo". Misture os ingredientes secos numa tigela. Adicione o óleo, o mel e misture bem. Acrescente o fermento diluído e o restante da água aos poucos. Coloque a massa numa superfície plana, enfarinhada e vá sovando a massa, acrescentando mais farinha branca, até a massa deixar de colar nas mãos. Essa massa deve ficar bem macia, quase mole. Sove a massa por alguns minutos, forme uma bola e deixe descansando para crescer. Quando a massa dobrar de volume, amasse-a massa novamente, e forme bolinhas de massa com as quais você vai encher uma forma de bolo. Coloque as bolinhas uma do lado da outra, e sobrepostas. Deixe descansando novamente, até crescer bastante. Asse em forno pré-aquecido a 180°C, por aproximadamente 45 minutos. Desenforme para deixar esfriar. 
Com tanto amor canalizado, o pão não tinha como não ficar ótimo!

12 de outubro de 2011

Voltei


Queridos... voltei mesmo. Pensei que logo depois do frenesi da mudança minha vida voltaria ao normal, mas a verdade é que agora meu tempo extra é bem mais curto. Me desdobro mais ainda pra dar conta de tudo sozinha em casa. E estou aproveitando o máximo que posso meus momentos com minhas filhas, sempre procuro fazer coisas diferentes com elas. Mas prometo dar continuidade às receitas, talvez não com a frequencia de antes, mas constantemente.
Lembram do cacho de banana? Consegui trazê-lo comigo, acreditem... eu sou um ser inferior, não consegui desapegar ;). Ele passou dois meses embaladinho em sacos plásticos no chão da minha cozinha, e continuava verdíssimo. Então, quando eu já tinha perdido a esperança de ver as bananas maduras, um belo dia (segunda feira passada) constatei que elas estavam todas maduras! Coisa mais linda, um monte de bananas magrinhas (pois não ficaram tanto tempo no pé pra ficarem bem gorduchas), mas deliciosas. Claro que a primeira coisa que fiz foi aquele bolo de banana imbatível. Só que no meio do preparado me dei conta que não tinha farinha de aveia, e só um tiquinho de farinha de rosca...
Então o jeito foi improvisar. Coloquei o que tinha de farinha de rosca (meia xícara), completei com aveia em flocos finos (mais meia xícara), e a farinha de aveia substituí por farinha de trigo integral. O resultado foi um bolo um pouco mais seco, mas tão bom quanto o original. E demorou mais um tempinho pra assar, uns 50 minutos.
Já já volto com mais receitas!

24 de agosto de 2011

Mudança

Sumi, mas só fisicamente, penso no blog o tempo inteiro. Além da mudança de endereço, estou enfrentando uma situação nova na vida, que é emocionalmente muito desgastante, apesar de engrandecedora. A mudança em si está me tomando mais tempo que o esperado, porque sair de uma casa com duas crianças e ir para um apartamento requer se desfazer de algumas coisas e comprar outras mais específicas para vida em apê. Pra mim é tudo novo, pois nos últimos 6 anos morei em casa, com terraço, quintal, plantas... E na verdade morei em apartamentos em poucas ocasiões na minha vida, e sempre por curto período de tempo.
Faz quase uma semana que mudei, mas já sinto saudade da antiga casa... Sobretudo da tranquilidade de ver minhas filhas correndo para um lado e para o outro, de vê-las brincando no jardim, pegando bichinhos (soldadinhos), colhendo minhas rosas sem minha autorização (agora acho um amor...). Elas estão sentindo falta de espaço, eu percebo, como eu. Mas sei que a gente vai se acostumar... Afinal, é só uma fase das nossas vidas, e como toda fase, vai passar. Na verdade ainda não entreguei as chaves da casa, ainda tem algumas coisas pra pegar na antiga morada, então acompanho ainda minha querida bananeira e meu mamoeiro... Acho que vou conseguir levar o cacho comigo!!
As coisas no apartamento, assim como nossas vidas, estão se ajustando aos poucos. Só falta instalar as cortinas (com blecautes reforçados nos quartos!!) e comprar mais móveis para a cozinha (e, claro, desencaixotar algumas coisas!). O lado positivo é que agora minha sala de jantar está num cômodo bem iluminado então poderei fazer belas fotos para o blog!
Descobri, nesse momento difícil de minha vida, a verdadeira importância dos amigos. É muito bom receber uma ligação de alguém disposto a ajudar. Só isso já ajuda, não é?

Mas enfim, esse post era só pra dizer que estou viva, mesmo que passando por um momento turbulento e que não vejo a hora de recolocar as mãos nas panelas, pois os últimos dias tem sido extremamente monótomos, de um ponto de vista gastronômico...

Agradeço especialmente a minha prima Renata, que trouxe pão doce e cocacola pra lanchar na véspera da mudança, quando eu e minha mãe estávamos completamente cobertas de poeira e a casa cheia de caixas de papelão. Foi o melhor lanche de todos os tempos!

14 de agosto de 2011

Camarão tailandês


Como comentei antes, trouxe de Florianópolis, entre outras coisas, uma pasta de curry. Pasta de curry não é igual ao tempero seco e amarelo chamado curry, que encontramos facilmente nos supermercados. Na verdade, curry quer dizer uma mistura de temperos e a pasta de curry é uma mistura de temperos acrescentada de óleo, o que dá a consistência de pasta, ou creme. As pastas de curry que existem podem ser bem variadas, de cores diferentes, e geralmente são bem picantes. Em Florianópolis comprei um Thai curry, uma pasta vermelha, com alguns ingredientes bem típicos da comida tailandesa, como o capim santo. Uma pasta de curry é um ingrediente extremamente eclético, vai bem com frango, arroz, peixe, legumes, camarão, e por ser super saboroso, não precisamos usar quase nada além dele pra fazer um prato delicioso.
Eu já tinha usado com legumes, mas ainda queria provar com camarão. O almoço do dia dos pais foi feito em meia hora!


Camarão tailandês

Ingredientes:

1/2 cebola picada
400g de camarão grande
1 tomate bem maduro sem sementes e cortado em pedaços pequenos
1 e 1/2 col. (sopa) de pasta de curry (voce pode colocar mais, depende do seu gosto. Como seria um almoço com crianças, eu peguei leve)
1 xícara de leite de coco
sal e coentro a gosto

Como fazer:

Numa panela funda, refogue a cebola em um pouco de óleo. Acrescente os camarões e deixe refogando uns cinco minutos. Adicione o tomate, mexa, adicione a pasta de curry, misture bem e coloque o leite de coco. Misture bem, cubra a panela e deixe cozinhando por mais cinco minutos. Verifique se os camarões estão cozidos, coloque sal a gosto e depois de desligar o fogo tempere com o coentro picado. Sirva com batata doce temperada com azeite e coentro, e arroz branco.

13 de agosto de 2011

Minha bananeira e um exercício de desapego


Antes de mais nada queria dizer que o último post me deixou bem chateada. Não adiantou editar e reeditar, ele saiu do jeito que o Blogger quis, e não do jeito que eu costumo editar minhas postagens. Desculpem. Bem, chega de choramingar...

Depois que saí do último apartamento em que morei, eu nunca pensei que moraria em um apartamento de novo... Quando me mudei pra essa casa, esperava morar nela até construir a minha própria, mas a vida é um incessante desenrolar de quebradas-de-cara e pagadas-pela-língua. No bom sentido, não há pessimismo na afirmação. Então, como dizia, estou de mudança, e pra um apartamento... Aproveito pra dizer que é por isso que ando tão sumida. A decisão de mudar e a energia despendida para procurar um outro canto são esgotantes... Sem contar nas quarenta e sete outras coisas que estão acontecendo na minha vida atualmente, ao mesmo tempo.
Mudar é bom, dá um certo trabalho, mas é bom. O lado bom é que a gente joga um monte de coisas inúteis que vão se acumulando ao longo da existência, renova as energias domésticas. O lado ruim é tirar tudo dos móveis, preparar as caixas, acompanhar a mudança em si, fazer um faxinão na casa nova, fazer reparos cá e lá, pintar a antiga morada, todo aquele processo burocrático e logístico de mudança de endereço.
Mas dessa vez, o que será pior, pior.... será ter que deixar minha bananeira linda que está dando seu primeiro cacho... e meu mamoeiro carregadinho de mamões verdes, prestes a amadurecerem... A bananeira, que trouxe de Mamanguape... plantei, vi crescer... o cacho que vi aparecer, as bananas que engordam cada dia mais... que acompanho... É como gestar um filho e parir pra outra criar... que dó. 
QUE DÓ!
Acho que vou convencer o corretor a me permitir colher o cacho de banana, quando ele estiver pronto... vou exigir que ele insira isso no próximo contrato de locação que a casa tiver: "O cacho de banana que porventura existir quando da entrega das chaves é de propriedade inalienável da antiga moradora"...
Ou então eu vou ter que fazer um ritual de desapego... Fazer meu luto, vai ser difícil.
Pela casa, que adoro, não vou sofrer não. Já morei em lugares ainda melhores - em Brasília morava no  Paraíso, quem conhece sabe - e sei que um dia estarei na minha casa, feita do jeitinho que quero. 
Mas pela bananeira... Desculpem, eu sou um ser inferior.

1 de agosto de 2011

Ricota de leite de cabra


Andei sumida, eu sei... Dessa vez viajei e não falei nada pra ninguém, mas é que foi uma viagem combinada, marcada e comprada de ultíssima hora. Fui passar uma semana de férias em Florianópolis, sozinha. Como assim? Fiquei na casa de uma amiga, que me disse que só uma aquariana teria coragem de passar férias sozinha, sem os filhos, sem ninguém. Será? Pena para as mães de outros signos, então!
Mas de qualquer forma, como disse, fiquei na casa de uma amiga, então não posso dizer que fiquei completamente sozinha, certo?
O que fiz em uma semana? Tomei café do Kênia, comi pão e cookies caseiros, andei por dunas e morros, comi tainha e barrigudo, conheci uma padaria que tem uma mesa só, comunitária, gravei milhares de músicas da Madonna (minha amiga tem TODOS os CDs dela), comprei açúcar baunilhado, pasta de curry e aveia em grãos, conversei na frente da lareira, tirei foto de dois gatos lindos, e descobri que a ilha é isso tudo que todos falam: é liiiiiiinda, e as pessoas são educadas e simpáticas (e lindas!). E saí de lá querendo me mudar pra lá, como todo mundo! Ok, me mudar eu não garanto, mas voltar, vou voltar com certeza. O tempo nem sempre ficou bom para fotos mas está tudo gravado na minha memória...

De volta à vida real (renovada, energizada e com o tanque da paciência cheinho), resolvi por em prática uma tentativa de fazer queijo de cabra caseiro. Não vá pensando que consegui fazer aquele queijo durinho, mas uma bela ricota sim. Deu super certo, e foi bem fácil de fazer.

Ricota de leite de cabra
Ingredientes:
1 litro de leite de cabra (use o leite que é vendido em garrafas de tetrapack)
50 ml de vinagre (de maçã ou de vinho branco)
Sal
Como fazer:
Coloque o leite para ferver. Após a fervura, desligue o fogo e aguarde alguns minutos. Despeje o vinagre no leite, mexa um pouco e deixe o leite talhar por mais ou menos meia hora, sem mexer. Disponha uma peneira por cima de um recipiente relativamente fundo, como uma saladeira, e por cima da peneira disponha um paninho de algodão limpo (pode ser um simples pano de prato). Vá retirando o leite talhado com uma grande escumadeira e coloque por cima da peneira. Descarte o soro do leite que sobrar na panela. Deixe o queijo escorrer um pouco, até esfriar completamente. Tire o queijo da peneira e coloque-o num recipiente. Salgue a gosto, tampe bem o recipiente e conserve em geladeira. Você pode temperar com algumas ervas secas.
Se posso comer queijo de cabra com minha alergia a leite? Até posso, com bastante moderação. Experimente!