9 de julho de 2011

Charada

Chegando de viagem, minha filha mais velha me fez a seguinte charada:

O que é, o que é...
Na cozinha é um tempero,
No jardim é uma flor,
E no rosto é uma marca...
?

Ela pediu: "mãe, coloca no seu blog para seus amigos adivinharem". E aí, alguém arrisca?

4 de julho de 2011

Creme de limão


Quando comprei aquele meu livro sobre comida francesa, os "Petits pots au citron" me deixaram com água na boca só de ler a receita. Não sei por que demorei tanto pra experimentá-la! Essa receita é bem prática, pois só leva ingredientes simples, e muito rápida.

Creme de limão

Ingredientes:

1 pera (você pode usar outras frutas, como pêssego, morangos, etc)
Casca e suco de três limões
150g de açúcar demerara
4 ovos
300 ml de creme de leite de soja
Açucar de confeiteiro para gratinar

Como fazer:

Ligue o forno a 160°C. Corte a pera em fatias e disponha em seis ramequins ou potinhos que possam ir ao forno. Misture a casca ralada e o suco dos limões (eu usei dois limões taiti e um limão siciliano) com o açúcar e os ovos. Bata bem com um batedor de arame, e então acrescente o creme de leite de soja. Misture até obter um creme bem homogêneo. Disponha o creme nos ramequins. Coloque os potinhos numa travessa ou forma grande com água quente. Asse em banho-maria no forno pré-aquecido por aproximadamente 40 minutos ou até o creme ficar firme.
Retire do forno e deixe esfriar. Salpique açúcar de confeiteiro por cima dos ramequins e coloque no forno novamente na função gril, até o açúcar começar a dourar. Coloque pra gelar, e sirva frio. 


PS.: Vou passar uma semana isolada no interior de São Paulo, portanto não terei acesso ao blog. Caso você comente alguma receita, não se preocupe, o  comentário vai ser publicado assim que eu voltar, ok? Boa semana a todos!

2 de julho de 2011

Biscoitos de mãe

Lembra daquele post sobre creme de chocolate em que comentei a variedade limitada de biscoitos industrializados que existiam no mercado quando eu, e grande parte de vocês, éramos crianças? Eu comentei rapidinho que minha mãe fazia biscoitos? Pois é, eram dois: um de aveia, e um salgado, de queijo. O biscoito de queijo era muito elegante. Minha mãe espalhava a massa com um rolo até ela ficar bem fina, depois salpicava com queijo ralado, enrolava a massa como um mini rocambole e por fim cortava fatias dos "rocamboles". Botava pra assar em forno bem quente, e pronto. Era uma receita rara, dava trabalho pra fazer eu imagino... com duas crianças pra olhar, uma casa pra cuidar, não devia ser fácil arrumar tempo pra fazer os tais biscoitos... Mas minha mãe tinha certos rituais culinários que tinham que ser cumpridos...
Hoje vou contar o que aconteceu com o biscoito de queijo...
Primeiro, tiramos o queijo. Segundo, colocamos um pouco de farinha integral na massa. Terceiro, no lugar do queijo, colocamos cristais de sal misturadinho com ervas finas. Porque estou usando a primeira pessoa do plural ao invés da primeira pessoa do singular? Porque as mudanças foram feitas a 8 mãos: as minhas, as das minhas duas meninas e as da minha mãe, que veio passar uns dias conosco. Claro que a receita pra inaugurar a mamie tinha que ser de biscoitos, não é?

Biscoitos integrais de ervas finas

Ingredientes:

1 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de farinha de trigo integral
90 g de manteiga
2 gemas
4 col. (sopa) de água
1 col. (sobremesa) cheia de cristais de sal (pode ser sal fino de mesa, na medida de uma colher rasa)
3 col. (sobremesa) cheias de ervas finas ou qualuqer tempero verde seco (alecrim, tomilho, oréganos, herbes de provence, etc)


Como fazer:

Misture as farinhas. Corte a manteiga em pedaços e incorpore-a na farinha com as mãos, até formar uma farofa úmida. Adicione uma gema e misture bem. Por fim, acrescente a água e forme uma bola de massa. Se a massa ficar ainda quebradiça acrescente mais um pouquinho de água (vá acrescentando às colheradas, aos poucos, apenas até você conseguir formar uma bola de massa que não se quebra facilmente). Envolva a massa num filme plástico e coloque na geladeira pra gelar, por pelo menos uma hora.
Misture o sal com as ervas e reserve.
Abra a massa com um rolo numa superfície enfarinhada até chegar a uns 2 milímetros de espessura. Tente fazer um retângulo com a massa, assim, na hora de enrolar a massa, os rolinhos ficarão mais uniformes. Cubra a massa com um pouco da outra gema (com os dedos ou com um pincel culinário) e salpique por cima a mistura de sal e ervas, de forma a cobrir toda a superfície da massa.
Agora vem a parte boa... Vá enrolando a massa com cuidado, por cima dela mesma. Quando você obtiver um rocambole de uns 3 centímetros de diâmetro, corte a massa. Enrole o rocambole em filme plástico e coloque-o na geladeira. Faça o mesmo com o resto da massa, até acabar. Deixe os rocamboles na geladeira até ficarem bem firmes.
Quando estiverem bem durinhos, retire os rocamboles de massa da geladeira. Pré-aqueça o forno a 250°C, por uns dez minutos (enquanto corta os biscoitos). Corte os rocamboles em fatias de no máximo meio centímetro e disponha numa assadeira untada. Asse por uns 15 minutos ou até começar a dourar. Retire do forno assim que estiverem prontos, vire-os (essa etapa é importante pois os biscoitos continuam assando, mesmo depois que retiramos a assadeira do forno) e deixe esfriar na própria forma.
Quando os biscoitos esfriarem (se sobrar algum daqui pra lá), guarde em vidro bem fechado, para manterem a crocância.


Obs.: o recheio pode variar: gersal, curry, canela com açúcar, chocolate em pó, etc, etc...

30 de junho de 2011

Pra pensar um pouquinho

"(...) é dito no Ayurveda que, embora as pessoas difiram na constituição, existem certos fatores comuns que causam desordens e doenças que tem um período similar e cujos sintomas podem surgir e destruir a comunidade (as epidemias). Estes fatores nas comunidades são o ar, á água, o local e a época. Ar (...) terrivelmente barulhento, excessivamente conflitante, zunindo e afetado por um odor impróprio, (...) poeira e fumaça. Água (...) excessivamente alterada em relação a odor, cor, gosto e tato, (...) sem aves aquáticas e animais aquáticos em número reduzido. Local (...) (com) cor, odor, gosto e tato muito afetados, (...) (com) problemas devido a répteis, animais violentos, mosquitos, gafanhotos, moscas, ratos, corujas, abutres, chacais, (...) pássaros e cães choram ali, condições dolorosas de vários animais e pássaros; virtudes abandonadas como honestidade, modéstia, boa conduta, bom comportamento e outros méritos, rios agitados e inundados, ocorrência frequente de (...) terremotos (...). A época (...) mostrando sinais contrários, excessivos ou deficientes em relação aos da estação."
"Como todo o universo é formado pelos mesmos cinco elementos, tudo à nossa volta nos afeta, mas nós também afetamos o ambiente. A degradação moral traz impactos ao meio ambiente e subsequentemente aparecem as epidemias e as comunidades são destruídas."
"(...) esquecemos que aquilo que fazemos ao nosso ambiente retornará para nós mais cedo ou mais tarde, pois tudo é cíclico neste universo."

Vinod Verma
Ayurveda - A medicina indiana que promove a saúde integral.

24 de junho de 2011

Tropical français


Hoje, meu blog completou um ano. Mais de 8000 acessos. Eu não esperava. Nunca pensei, inclusive, que fosse gostar tanto da brincadeira. Quando passo mais de uma semana sem postar nada fico ansiosa, com medo de que os leitores assíduos achem que abandonei o blog... Sou só um pouquinho paranóica :)
Pra comemorar o aniversário, ao invés de postar uma receita de bolo, resolvir contar aqui como foi uma noitada que fiz aqui em casa.

Diga-se de passagem, eu adoro receber amigos em casa. Adoro elaborar o cardápio, comprar os ingredientes, as bebidas, preparar tudo e servir. Adoro todas as etapas do processo! Eu lembro de uma festa/brunch de aniversário que fiz para minhas filhas antes de sair de Brasília, para elas poderem se despedir dos amiguinhos da escola em grande estilo. Eu fiz tudo, tudo, tudo. Minto... só não fiz alguns brigadeiros e uns salgadinhos vegetarianos que encomendei num restaurante natureba (só de lembrar deles fico com água na boca, acreditem...), e é claro, também não fiz a decoração com os balões... Algumas amigas até já pediram pra eu colocar as receitas das coisas que fiz no aniversário aqui no blog. Bem, algumas delas eu já postei, como a quiche, a torta de liquidificador e o docinho de frutas secas (mas falta ainda o pão de alecrim e azeitonas, o salpicão, o bolo de chocolate, o bom-bocado, as trufas, quê mais? Acho que tinha mais coisas, mas eu esqueci. Adriana, você lembra?). Enfim, eu achei maravilhoso preparar tudo aos poucos, elaborar os convites, as lembrancinhas, encomendar os brigadeiros, as mesas e cadeiras, contratar a decoração com balões, o pula-pula e a piscina de bolinhas, comprar as flores, montar a mesa com os comes e bebes, servir, ver a casa cheia de pessoas queridas...

Bem, fechando o parêntese, dessa vez a ocasião foi bem diferente. Sem crianças, pra começar. E bemmmmm menos gente, na verdade seis pessoas. O encontro foi uma réplica de outro que fizemos na casa da amiga mais chique que alguém pode ter, regada a vinho late harvest e foie gras. Pra (tentar) ficar à altura, ti punch com rum Haitiano legítimo (e justiça seja feita, trazido pelo marido da amiga mais chique que alguém pode ter, ou seja, o marido-da-amiga mais chique que alguém pode ter) e comidinhas inspiradas no lado de cá do Oceano Atlântico: mix de castanhas brasileiras (de cajú e do pará), bolinho de peixe, escondidinho de carne de sol, salada de abacate e camarão. O ti punch foi a base de suco de cajú, goiaba e maracujá. Ah! E incrementado com raspas de limão... Alguem aí falou siciliano?



Minhas amigas são muito chiques, não? Ops... a chique do meio sou eu, tá?

PS: Eu queria aproveitar pra responder, en passant, uma leitora que me pediu pra postar o endereço da loja que menciono nessa postagem da receita de pavê de cupuaçu. A lojinha fechou e parece que na verdade mudou de endereço... Mas eu não sei onde ela fica agora. Alguem aí sabe do paradeiro da loja?


23 de junho de 2011

São João sem leite - parte III


Numa série de receitas de São João sem leite, não poderia faltar pamonha. Fazer pamonha pode ser bem complicado, se você resolver costurar os saquinhos de palha e ralar o milho com ralador grosso, certo? Pois os seus problemas acabaram! Hoje fiz pamonha no forno, batida no liquidificador. Na verdade, ficou parecido com um pudim de pamonha.



Pudim de pamonha

Ingredientes:

5 espigas grandes de milho bem verdinho
1/2 xícara de leite de soja
2 xícaras de leite de coco
4 colheres (sopa) de açúcar, mais três para caramelizar a forma
2 ovos

Como fazer:

Coloque 3 colheres de açúcar numa forma de pudim. Coloque em cima do fogo bem baixo e deixe o açúcar virar caramelo. Retire os grãos de milho das espigas com uma faca bem afiada. Bata no liquidificador o milho, os leites, os ovos e 4 colheres de sopa de açúcar, até o milho ficar bem batido. Ligue o forno a 180°C. Após 10 minutos, despeje o creme na forma caramelizada e leve ao forno para assar em banho-maria, por aproximadamente uma hora.

 
Fica uma delícia, até fora da época junina! Vai dar pra cantar Flávio José o ano todo!

"Pra todo mundo
A minha cara é de alegria
Porque ninguém tem nada a ver
Com a minha dor
O meu lamento
Ninguém não pode dar jeito
Se todo mundo tem
A marca de um amor..."

9 de junho de 2011

São João sem leite - parte II



Há alguns meses aprendi a fazer canjica, ou curau (esse é mais um caso de invencionisses de nomes para pratos nordestinos, lembra que já falei disso antes?), no site Panelinha. Para ser franca, eu não aprendi a fazer, eu só peguei a receita. E pra dar continuidade às receitas de nosso São João sem leite, resolvi colocar a receita em prática. Mas fiz algumas modificações da receita original, não só trocando o leite por leite de soja e leite de coco, mas também no tempo de cozimento e na quantidade de açúcar indicados na receita do Panelinha. Mas eu não experimentei a receita sozinha. Minha empregada, que é cozinheira de mão cheia, me deu um apoio fundamental! Quando botei a canjica no fogo e comecei a mexer, o creme começou a fazer caroço. Ai, e agora! Ela pegou a colher, começou a mexer energicamente, trocou a panela de fogo, botou numa boca bem fraquinha e os caroços se desfizeram, o creme foi engrossando uniformemente e tudo se resolveu. Ok, essa etapa deu certo. Mas e agora, quando é que tá pronto? "Ah, Marina, depois que a canjica ferver, quando aparecer a "cara de velho", tá cozido". Peraí... "cara de velho"? Rindo muito, ela disse: "Você vai ver". E não é que vi mesmo? Olha aí a Gerlane mostrando a "cara de velho" da canjica, toda enrrugada:


Canjica sem leite

Ingredientes:

6 espigas de milho bem verdinho
200 ml de leite de coco
200 ml de leite de soja
3 col. (sopa) de açúcar
canela em pó a gosto

Como fazer:

Com a ajuda de uma faca retire os grãos de milho das espigas. Bata o milho juntamente com os leites no liquidificador até obter um creme homogêneo. Passe a mistura por uma peneira, separando o líquido do bagaço. Coloque o liquido numa panela, acrescente o açúcar (prove e veja se está doce o suficiente pra você. Eu geralmente uso muito pouco açúcar nas minhas receitas, mas você pode preferir usar um pouco mais) e coloque em fogo bem baixo. Aí vem a parte divertida... Mexa bem (bem mesmo, sem moleza, hein!) o creme até ele começar a ferver. Após o início da fervura você pode parar de mexer a canjica. Observe o creme na panela enquanto ele ferve. Quando o creme começar a enrrugar na superfície, ou seja, quando começar a fazer a "cara de velho", a canjica está pronta!