24 de maio de 2011

Caldo de... bode?

Eu sei, parece título de post do blog da Neide Rigo, mas não é. A feirinha orgânica que frequento vende carne de bode. Uma vez, fiquei curiosa e resolvi comprar a bandeijinha. Bode? Gente, eu moro na Paraíba, lembram? E a moça me garantiu que era bode novinho, a carne era macia, etc. Bem, o bode ficou um tempão congelado no freezer pois teve quem dissesse aqui em casa que não comeria o bode nem a pau. Aproveitei um dia de obras aqui em casa e pedi pra minha empregada fazer o bode. Nesse dia teria mais comensais para o prato, e não correria o risco de ter que comer resto de bode por uma semana... Não vou colocar aqui a receita do bode, pois não fui eu que fiz. Mas saibam apenas que a carne foi lavada com suco de limão, e o guisado foi temperado com alecrim. Sem brincadeira... ficou com gosto de carneiro, e não de bode! O resultado ficou tão surprendente, que resovi usar os restos do guisado, com molho, ossos e um pouco de carne, pra fazer caldo caseiro. 
Numa panela grande, acrescentei aos restos do guisado de bode uma folha de louro, um dente de alho, dois talos de salsão, uma cebola espetada com alguns cravos, um talo de alho-poró (só a parte branca), uma cenoura, mais um pouquinho de alecrim, uma pitada de ervas finas e uns três litros de água. Deixei ferver por uma hora, mais ou menos. Coei a maior parte do caldo, coloquei em vidrinhos e congelei.


Uma parte do caldo deixei na panela, juntamente com o alho-poró, a cenoura e os pedacinhos de carne que ainda resistiam firmes e fortes. O resto descartei. Acrescentei mais água, um pouco de molho de tomate e sal. Deixei ferver um pouco. A parte, preparei cuscus marroquino. Na hora do jantar, juntei a sopa com o cuscus, um restinho e feijão fradinho do almoço e jantamos uma sopa perfeita pra espantar os resfriados de inverno.

22 de maio de 2011

Receita para o sol


Hoje, acordei com vontade de testar uma receita que tinha destacado nos meus livros para colocar aqui no blog, caso desse certo, mas acabei inventando uma (o que geralmente acaba acontecendo...). Eu já postei aqui uma receita de crumble antes, lembram? Se não lembram, um crumble é um prato assado que geralmente leva frutas como maçãs, pêras ou pêssegos, dispostas em pedaços numa travessa e cobertas por uma espécie de farofa grossa e oleosa, a base de farinha e manteiga. O prato é levado ao forno, até a farofa dourar e as frutas amolecerem. O crumble de hoje tem cara de verão. Depois de uma semana chovendo sem parar, o sol resolveu dar o ar da graça por DOIS dias seguidos (tomara que dure pelo menos mais uns cinco, pra ver se espanta um pouco o mofo, arg!), então brindei-o com essa receita ensolarada.



Crumble de tomate, cebola e agrião

Ingredientes do recheio:
3 tomates bem maduros
2 cebolas médias 
1 dente de alho
1/2 maço pequeno de agrião picado
azeite, sal e manjericão a gosto

Como fazer o recheio:
Corte os tomates e as cebolas em pedaços médios. Pique o dente de alho. Refogue no azeite a cebola por alguns minutos. Acrescente o alho, espere amolecer. Adicione os tomates, mexa bem e tampe a frigideira. Quando os tomates começarem a murchar, desligue o fogo. Coloque sal a gosto, folhas de manjericão picadas e o agrião. Abafe e prepare a farofa.

Ingredientes da farofa:
1/2 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de aveia
2 col. (sopa) de gergelim em pó (se usar gersal, não esqueça de não usar sal na receita)
1/4 de xícara de azeite de oliva
tomilho e sal a gosto

Como fazer a farofa:
Misture a aveia, a farinha, o gergelim em pó, uma pitada de sal (se não usar gersal) e tomilho seco a gosto. Acrescente o azeite e misture com as mãos ou uma colher até obter uma farofa grossa e oleosa. Reserve.

Para montar o crumble: 
Disponha numa travessa não muito grande os tomates refogados, juntamente com o líquido do cozimento. Por cima, disponha a farofa de forma uniforme. Coloque para assar em forno pré-aquecido a 180°C, por aproximadamente 40 minutos, ou até dourar. Se seu forno tiver gril, asse por 30 minutos e depois deixe no gril por mais 10 minutos (não deixe a forma muito próxima ao gril, para não queimar a farofa).

16 de maio de 2011

Macarrão integral com amêndoas e limão


Almoço de domingo aqui em casa geralmente é motivo para reflexão... As duas opções que vem à cabeça inicialmente são: passar a manhã na cozinha e fazer aquele almoço, com muito empenho e amor, mas ficar com toda a louça pra lavar depois de "bônus"; ou almoçar fora uma comidinha impessoal, mas ganhar a tranquilidade de não ter nada pra fazer depois de comer. Lá pelas onze horas, ainda sem decisão, eu sempre acabo optando pelo meio termo. Fazer um almoço simples, mas com muito carinho, rapidinho, sujando pouca louça. Captou? Esse domingo, fiz um macarrão simplíssimo e delicioso.


Eu usei macarrão integral, limão taiti, amêndoas em lascas, pistaches e gengibre. Depois que você cozinhar o macarrão de sua preferência, escorra e reserve. Refogue em bastante azeite um punhado de alho picado (isso aí também depende do seu gosto). Quando o alho estiver quase dourado, jogue o macarrão dentro e misture bem. Desligue o fogo e mantenha a panela fechada. Numa frigideira antiaderente bem seca toste as amêndoas em lascas e os pistaches, até você começar a sentir o cheiro das amêndoas tostando. Elas devem ficar douradas. Na hora de servir, disponha um punhado de amêndoas e pistaches por cima do macarrão, e raspas de casca de limão e gengibre, raladinhos na hora, a gosto. Verifique o sal e sirva imediatamente.

Essa foi a minha cara depois da primeira garfada. E teve gente que queria sair na foto...

14 de maio de 2011

Bolo de maçã e limão siciliano


Ninguém sabe, mas eu tenho uma paixão velada por limão siciliano. Bem, agora alguém sabe... Nunca falei porque parece afetado, né? Paixão por limão siciliano... não pode ser por limão, ponto? Não, é por limão siciliano! Não queiram explicar as coisas do coração... Então, pra quebrar a greve de fome do meu querido blógui, resolvi fazer um bolo que leva raspinhas de limão siciliano e glacê de limão siciliano. Uma parte dessa receita eu peguei na internet há uns meses atrás, mas agora me é impossível lembrar a fonte. Na verdade, a receita original leva "limão ralado", coisa que não sei bem o que significa, então resolvi dar os meus toques, como acrescentar leite (de soja) na massa e colocar um glacê de limão por cima do bolo, antes de servir.


Bolo de maçã e limão siciliano

Ingredientes:

200g de manteiga
1 xícara de açúcar
3 ovos
1 xícara de farinha de trigo
1 xícara de maisena
1/2 xícara de leite de soja
1 col. (sobremesa) de fermento químico
1 maçã ralada
raspas da casca de um limão siciliano

Como fiz:

Peneire e junte a farinha, a maisena e o fermento. Reserve. Bata a manteiga em temperatura ambiente com o açúcar até formar um creme homogêneo. Acrescente os ovos, um por um, sem parar de bater. Adicione os ingredientes secos alternadamente com o leite, ainda sem parar de bater. Quando tudo estiver bem misturado e homogêneo, acrescente a maçã e as raspas de limão, misturando com um colher. Coloque a massa numa forma untada, e asse em forno pré-aquecido a 180°C, por 40 minutos.

Para fazer o glacê, basta misturar 1/4 de xícara de suco de limão siciliano (o mesmo do qual você tirou as raspinhas da casca) e 2/4 de açúcar com um batedor de arame. Quando o bolo estiver frio, derrame o glacê por cima do bolo e espere secar um pouquinho antes de servir.



O resultado? Bem... eu sou suspeita para falar, mas... ficou irresistível!

11 de maio de 2011

Enquanto isso...

Muita água rolou nessa minha ausência...
O principe encantado casou (ainda resta o irmão caçula. Meio rebelde, eu sei... Dá até vontade de puxar pelos cabelos, não?)
Osama morreu (acho que o casamento do príncipe teve mais inlfuência na minha vida...)
O dia das mães passou (só lembram das mães um dia no ano... isso me exaspera)

E eu?

Bem...

Trabalhei...

Trabalhei...

Trabalhei...

Ah! E assisti a "Comer, rezar e amar"... Eu amei o Javier Bardem falando português!!!! "Cuidado com as meninas... elas são perigossssas". Ai, ai...

Na verdade eu até tentei uma receitinha para o dia das mães, pra tentar me enquadrar nesse sistema de blogueiras-que-postam-receitas-comemorativas, mas a receita ficou medíocre, então achei melhor não colocar aqui. Para vocês verem, quando a gente não coloca uma boa intenção, as coisas não funcionam.

Mas... não é hoje que vou postar mais uma receita pra vocês. Só vim dar um alô, pra vocês não acharem que eu desisti do brógui! E para não pensarem que meu trabalho não vale minha ausência, vejam:




1 de maio de 2011

Manias

Gosto de tomar chá de noite e café de manhã (de pijama... nos dois casos);
Eu prefiro fazer a comprar pronto;
Só leio um livro e vejo um filme uma vez (ok, com exceção de Dirty Dancing, que assisti umas 4 vezes... mas eu era pré-adolescente, não conta...);
Gosto de esmalte escuro nas mãos e claro nos pés;
Quando a comida é boa, e a fome é grande, eu como gemendo (às vezes, basta a fome estar grande...);
Como iogurte de sobremesa do jantar (de soja...);
Não gosto de dormir depois do almoço;
Lembro do perfume das pessoas, antes de lembrar dos nomes (e lembro dos cheiros das coisas, casas, cozinhas, campos...);
Adoro ver seriados de TV a cabo quando durmo em hotel (vai ver que é porque não tenho televisão em casa...);
Não consigo guardar raiva de ninguém no coração (posso até guardar por um tempo, mas o rancor me consome e tenho que deixar a raiva sair pra ficar bem de novo);
Vivo identificando meus momentos em letras de música (não, não, não tem nenhuma do Roberto Carlos no repertório!);

Eu ando muito pensativa ultimamente...

21 de abril de 2011

Creme de chocolate


Vocês conhecem aqueles potinhos de creme de chocolate industrializados, não conhecem? Quando eu era criança passava uma propaganda na televisão que mostrava várias pessoas jogando as colherinhas pro alto e comendo o creme com os dedos... Provavemente vários de vocês lembram ;). Eu ficava morrendo de vontade de comer aquele creme, que me parecia o supra-sumo da cremosidade e do sabor de chocolate, só de ver aquelas pessoas enlouquecidas jogando as colherinhas para o alto e engolindo o creme com os dedos! Ah, o poder da propaganda... Mas certamente, meu desejo era enorme por um outro motivo: minha mãe NUNCA comprava aqueles potes de creme! Comida industrializada praticamente não entrava na minha casa, se bem que há 25 anos atrás, numa cidade não tão grande como a minha, a oferta era bemmmmm menor, certo? Não havia milhares de tipos de biscoitos, era cream cracker (que aqui a gente chama de bolacha, e não biscoito), maisena, maria e biscoito recheado de chocolate. Me lembro quando lançaram o biscoito negresco, caramba, foi revolucionário! Minha mãe fazia biscoitos, e comprava cream craker, no máximo. Salgadinhos? Era só o fandango e uma rosquinha com gosto de cebola (cebolitos? Alguem aí lembra o nome?), e eu só comia escondido, na casa dos outros. Não havia as centenas de bolinhos, barrinhas, chocolates, balinhas, bombons, etc, que existem agora. Minha mãe comprava uma caixa de chocolate da garoto e escondia no armário dela. Liberava UM bombom, esporadicamente, depois de muita insistência e de um belo prato de almoço. Refrigerante? Não comprava, nem sob tortura. Claro que quando eu era pequena, achava todo esse racionamento uma verdadeira barreira intransponível às coisas boas do mundo (ou pra falar mais infantilmente, uma chatisse, uma injustiça!).
Hoje, eu sou mãe. Posso dizer que herdei os bons hábitos, mas confesso que tenho que ser mais chata que minha mãe, pois minhas filhas são submetidas a muito mais opções, estímulos e ocasiões de comer porcaria que quando eu era criança. Minhas filhas estudam numa escola em que as crianças levam o lanche de casa e me entristece observar que poucos pais se preocuparem efetivamente com a alimentação dos filhos. E no meio de um mar de salgadinho e biscoito recheado, é uma verdadeira guerra convencer uma criança de 5 anos a comer fruta... Mas eu luto, luto, e não desisto. Sei que a desculpa pra aqueles pais é o tempo, mas tem coisa mais rápida que lavar uma fruta?
Acho que o verdadeiro problema está no embate. Existe uma inclinação natural do ser humano para os alimentos mais energéticos, é biológico. Consolidamos essa característica em anos e anos de evolução da espécie, pois os alimentos mais calóricos são aqueles que podem garantir uma maior sustentação energética do corpo por mais tempo (caso o alimento venha a se tornar escasso no meio em que vivemos). Sendo assim, uma criança, desprovida de senso crítico em relação ao que faz ou não faz mal à saúde, entre uma fruta e um biscoito recheado, vai escolher o quê? Não é difícil responder... Não é só uma questão de gosto, mas de quantidade de açúcar, entende? Não é mais rápido abrir um pacote de batata frita, só é mais cômodo. Não é preciso justificar por que queremos que a criança coma aquilo, que faz bem pra pele, pro cabelo, que deixa inteligente, etc, etc, etc. Muita gente precisa evitar ao máximo contrariar um filho. Que necessidade é essa de gratificar (com brinquedos, guloseimas) as crianças o tempo todo? Que sentimento de culpa exagerado é esse que sentimos o tempo todo, que precisamos compensar com agrados materiais?
Antes que vocês achem que eu sou uma verdadeira radical, saibam que não sou. Libero guloseimas no final de semana, com moderação. Mas busco sempre ensinar que a gente pode sim, comer "laminha" (apelido aqui de casa pra falar de guloseimas), mas esse tipo de comida é pra ser comido em ocasiões específicas, pra variar o cardápio e não como hábito diário. Tenho a esperança que o exemplo vai ficar gravado na cabecinha delas e quando crescerem e forem donas do prório nariz, aptas a escolherem o que vão comer, escolherão comida de verdade.

Esse creme é minha versão para o potinho industrializado. É bem rápido, e tem aceitação garantida, pois leva bastante chocolate.


Creme caseiro de chocolate

Ingredientes:

200g de chocolate sem leite
4 xícaras de leite de soja (eu usei o leite não adoçado)
2 col. (sopa) de maizena
Açúcar a gosto (eu não usei, mas minhas meninas preferem com açúcar...)

Como fazer:

Corte o chocolate em pedaços pequenos. Coloque o chocolate numa panelinha com três xícaras de leite e leve ao fogo baixo, mexendo de vez em quando. Enquanto o chocolate não derrete completamente, misture a maizena à xícara de leite restante. Quando o chocolate derreter, incorpore o leite misturado com maizena e vá misturando até engrossar. Não precisa deixar engrossar muito, pois o creme fica mais espesso depois de frio. Coloque em potinhos de sobremesa ou ramequins, espere esfriar e leve à geladeira por quatro horas antes de servir.

Excelente sobremesa para um almoço de Páscoa!